Podas do Morangueiro: O Impacto na Produtividade e Como Fazer o Manejo Correto

Na cultura do morangueiro, as podas representam um dos manejos culturais mais determinantes para a manutenção do vigor e da sanidade no cultivo em estufa. Contudo, a execução dos tipos de podas exige conhecimentos específicos. Realizar podas de forma indiscriminada ou sem compreender os manejos corretos compromete o rendimento produtivo.

Cada folha verde e ativa nas plantas atua como uma fonte de produção de energia através da fotossíntese. Quando o manejo das podas é feito de forma errada, a energia que deveria ser direcionada para os drenos principais (que são a emissão de flores e o enchimento dos morangos) acaba sendo desviada. A planta de morangueiro é forçada a utilizar as reservas energéticas para cicatrizar tecidos e se recuperar do estresse fisiológico causado pelas injúrias excessivas.

Para garantir que o cultivo de morangos mantenha um alto potencial produtivo, é fundamental compreender a finalidade de cada tipo de podas e os impactos que os erros de execução causam.

1. Poda de Limpeza no Morangueiro: Equilíbrio entre Sanidade e Área Foliar

A poda de limpeza tem como objetivo principal a remoção de tecidos senescentes (folhas velhas), pedúnculos que já finalizaram a produção de frutos e estolões. A finalidade dessa poda rotineira é retirar os restos vegetais para melhorar a aeração na coroa, reduzir o acúmulo de umidade no microclima entre as estruturas vegetativas (folhas) e diminuir a pressão de inóculo de doenças fúngicas.

  • O impacto da negligência: Quando a limpeza não é realizada no momento adequado, o acúmulo dos restos vegetais, que são materiais em decomposição sobre o substrato cria o ambiente ideal para a proliferação de patógenos, como o fungo causador do Mofo cinzento (Botrytis cinerea), Antracnose (Colletotrichum spp.) e doenças de pós-colheita.
  • O impacto do excesso: Por outro lado, a remoção excessiva de folhas jovens e fotossinteticamente ativas reduz a capacidade de produção de fotoassimilados (energia). Sem área foliar suficiente, ocorre uma diminuição no calibre dos frutos e um atraso nas próximas floradas.

2. Poda Drástica no Cultivo em Substrato: Por Que Evitar?

A poda drástica consiste na remoção total da parte aérea, restando apenas a coroa. É um manejo muito específico e, no caso de cultivares neutras ao fotoperíodo (como San Andreas, Albion, Monterey, Florida Beauty e Royal Royce) cultivadas em substrato, trata-se de uma prática não recomendada e altamente prejudicial.

Frequentemente, produtores fazem a poda drástica na tentativa de renovar um cultivo que apresenta aspecto visual debilitado ou forte ataque de pragas e doenças. No entanto, o declínio visual geralmente é sintoma de desequilíbrios nutricionais ou falhas nos manejos nutricionais práticos do dia a dia (EC da solução do substrato, EC dos pulsos de fertirrigação, umidade do substrato, etc.).

Quando a parte aérea é totalmente removida de forma injustificada, exige-se um gasto energético altíssimo para a rebrota. As reservas da coroa e do sistema radicular são severamente esgotadas, resultando em um longo período sem colheita e afetando o vigor produtivo a longo prazo. A correção de um cultivo debilitado deve ser feita majoritariamente através do ajuste dos manejos nutricionais e do controle fitossanitário adequado, não pela remoção abrupta da área foliar.

3. Poda de Coroas: O Controle da Competição no Substrato

Em cultivos que se estendem para o segundo e terceiro ano de produção ou mais, ocorre a emissão e o adensamento de múltiplas coroas a partir da estrutura original. O manejo correto da poda de coroas consiste em selecionar e manter entre 3 a 5 coroas vigorosas, eliminando as demais.

A ausência desse desbaste gera uma intensa competição interna. Cada coroa atua de forma muito similar a uma unidade independente, como se fosse uma nova planta em desenvolvimento. Dessa forma, a competição por água e nutrientes acontece diretamente no volume limitado do substrato. Com o excesso de drenos exigindo suprimento radicular no mesmo espaço, a nutrição distribuída torna-se insuficiente para sustentar o desenvolvimento pleno de todas as flores e frutos. A consequência direta na colheita é a produção predominante de morangos miúdos, que perdem valor agregado no momento da comercialização.

O Manejo de Podas Precisa Ser Intencional

Intervir na arquitetura vegetativa do morangueiro exige observação contínua e conhecimento adequado. Toda poda deve ter uma justificativa técnica fundamentada no funcionamento da cultura, nas fases da florada, na sanidade e no estado nutricional do cultivo. O alinhamento entre boas práticas de poda e manejos nutricionais precisos é o que garante a longevidade e a rentabilidade da produção de morangos.

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Olá, eu sou a Daniele

Agrônoma, produtora e especialista em morangos, unindo ciência e prática para impulsionar o sucesso de outros produtores.

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- Daniele Nascimento

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